Brasil...

Analfabetos e políticos

 

 

Quem não se comunica se trumbica. A sentença do comunicador Chacrinha é um apelo à busca de informação. Saber é um “mal” necessário, é o caminho mais curto em busca da verdade. Contudo, saber gera revolta, indignação, inconformismo. Quem não sabe se acomoda. Quem não sabe sugere, não informa. O Programa do Primeiro Emprego foi uma das promessas do atual Governo Federal. Poucos sabem ou se lembram.  Ele existe, mas onde? Algum jovem ao seu lado foi beneficiado por ele? Houve alguma discussão sobre as diretrizes desse programa?

 

Quem acessar o site do Ministério do Trabalho encontrará a seguinte mensagem: “O Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego é um compromisso do Governo Federal com a sociedade brasileira para o combate à pobreza e à exclusão social, integrando as políticas públicas de emprego e renda a uma política de investimentos públicos e privados geradora de mais e melhores empregos”.  No mesmo site possível encontrar informações sobre a taxa de desemprego entre pessoas de 16 a 24 anos, que atinge cerca de 45% do total de desempregados no país.

 

O curioso é que não se ouve um “a” a respeito do assunto. A França em choque pela revogação de uma lei que supostamente desfavoreceria os trabalhadores dessa faixa etária e, aqui, as moscas zumbem sobre as decisões políticas diárias. Todos citam CPIs e neologismos como valerioduto com a segurança de quem entende de política. A voz que clama nas ruas do Brasil é a do descaso, e não a do inconformismo como pensam os nossos “revoltados”. Diferente do quadro político francês, que mobiliza milhares de jovens quase irracionalmente, aqui tudo é vidraça, tudo e todos são vítimas, e não cúmplices. Porém, a arrogância não é culpa do cidadão comum. Parte de um descaso tanto da imprensa quanto da política. Na TV, fonte de informação de 95% dos lares brasileiros, a informação passa por uma “peneira” que não permite a compreensão dos fatos. Fala-se da revolta estudantil na França, mas da nossa política só se fala de corrupção.

 

 

Fazer política é quase como “jogar sujo” por essas bandas. A nossa paralisia é justificada como parte de um processo de vastas teorias que não cabe a um desinformado como eu tentar explicar. Mas afirmo o que me parece óbvio: político é um pêndulo de amor e ódio, ora um semi-deus, ora (e horas) um estraga prazeres. Então sejamos os “analfabetos políticos” de Brecht sem peso na consciência, pois, lá na “ilha dos caras” (sic) da capital já existem muitos analfabetos e políticos. 

 

 

 

 

Pra tudo na vida tem fila...

Para encerrar a tese sobre as filas da vida:

 

 

Bancos: Assentos e promessas

 

O banco é a personificação das filas da vida. Lá se encontram todas as almas enfileiradas do planeta. Alguns bancos até oferecem assentos para seus clientes, mas, apesar do nome, a maioria dos bancos continua sem bancos. Mas o pior ainda é o longo tempo de espera que temos que enfrentar. Isso sim é comum a qualquer agência bancária. Alguns oferecem café, ar condicionado, televisão, prometem carros, viagens, casa própria. Mas, alguém já viu banco prometer o fim das filas que o assombram? O governo já prometeu, criou até projeto de lei. Não adianta. Os bancos serão sempre o templo máximo das filas... de juros, de débitos, de siglas e, ainda por cima, filas de gente.

 

Emprego: A nova ordem “filométrica”

 

 Os institutos de pesquisa, após a impressionante marca atingida por uma empresa de Santo André, no ABC, definiram um novo critério para classificar as áreas com maior desemprego: Quilometragem. Isso mesmo!. No mesmo ABC já se sabe que há por volta de três quilômetros de desemprego. Pouco em relação a capital que a fila, segundo especialistas, atingiu a impressionante marca de um milhão e meio de pessoas, ou melhor, quilômetros. Desse jeito alguns protestos em fila na região central acabarão saindo do estado.  

 

Vagas em Igrejas: Casar no fim da fila

 

A velha fila da comunhão está defasada. Agora a onda é a fila do casório. A decisão da Igreja Nossa Senhora do Brasil na capital paulista tomou a iniciativa. Casar agora, só quando o padre quiser. E os casais, para realizar o sonho da família, entram na fila antes de entrar na igreja. 

 

 

 

Supermercado: O tráfego intenso de nossas mercadorias

 

Alguém um dia comparou os supermercados às nossas ruas e rodovias. Má sinalização, excesso de veículos, animais na pista, etc. Das comparações o  caixa pareceu a mais justa:assemelham-se em número e grau aos nossos intermináveis pedágios. Pois não é ali que o tráfego se concentra e a gente desembolsa uma quantia significativa? Tem caixa rápido e segurança. Tem bom dia e boa noite. As filas no supermercado são um triste exemplo de nossas rodovias, e vice-versa.  

Futebol e os/as "bolas fora" da modernidade

Errar é desumano; e eletrônico

 

Fim de semana passado, aquele da estréia do ponto eletrônico pela arbitragem paulista, estive num shopping para um simples passeio. Logo na entrada notei a ausência dos funcionários que controlam o estacionamento. A explicação era óbvia: aquelas pessoas assalariadas e humanas seriam substituídas por cancelas eletrônicas “para maior comodidade e segurança dos clientes”. Na verdade, o cômodo é para a administração do shopping porque, acredito que muitos como eu achavam interessante se deparar com belas moças logo na recepção do estabelecimento. O shopping justifica que, após o período inicial de aprimoramento, o estacionamento passará a ser pago para cobrir os gastos com a “segurança”. Mas será que essa parafernália tecnológica, que distribui “bons dias” convincentes, substitui mesmo a capacidade humana de errar, ou a incapacidade humana de evitar os erros? No caso das cancelas eletrônicas, o impacto sobre os clientes segue a lógica crescente do custo-benefício. Você paga e se “sente” mais seguro. Basta saber se isso realmente é para evitar os supostos roubos e furtos ou é mero interesse comercial.

E o que isso tudo tem a ver com futebol? Tudo. A implantação da comunicação eletrônica no clássico entre Corinthians e Palmeiras foi um desastre. Antes da partida o discurso da comissão de arbitragem era de que o sistema geraria “maior comodidade e segurança”, assim como as cancelas do shopping. Partindo do pressuposto de que ambos os sistemas adotados – cancela e ponto – comprovem sua eficácia, a substituição do capital humano por máquinas e sistemas eletrônicos, poderia ser posto em prática de forma, digamos, mais contundente. Assim como no shopping o recurso técnico poderia ser implantado de forma efetiva e não parcial nas partidas de futebol. Já que o ponto não evitou erros em dois jogos decisivos, incluindo o clássico de ontem entre São Paulo e Santos, porque não utilizar árbitros e bandeirinhas como “auxiliares” de câmeras e chips eletrônicos, assim como em breve será feito pelo shopping?

A clientela não tem aprovado essas demonstrações de modernidade que, aliás, continuam caducas e dependentes de um mínimo de esforço intelectual. No caso do shopping, pelo menos, o custo-benefício é no bolso e não na alma dos “clientes”.

    

 

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