Os bastidores da tragédia...

Quando a civilidade percorre o meio-fio 

 

“Ô Nia, põe no jogo, logo!”, gritou o corinthiano. A quilômetros do local da partida, os torcedores se amontoavam para assistir ao evento do ano num boteco apertado. Em menos de duas horas tudo seria festa, pois a glória e a confirmação da superioridade do time estariam expostas via-satélite para todos os cantos do planeta. A pequena televisão do botequim, escondida entre bebidas e potes de conserva, era o alvo dos olhares atentos da pequena torcida. Diferente da euforia do estádio, ali todos estavam quietos, apreensivos. Não se via um tumulto sequer, não havia diálogo nem gritos de guerra. As vozes expeliam apenas palavrões em monólogos desconexos.           

 

O palco estava armado. O show ia começar. Antes de a bola rolar o triunfo era questão de tempo, e as previsões não poderiam ser mais otimistas. Até o primeiro gol as projeções se solidificavam em campo. “Não falei, não falei”. “Não deu outra”. “É isso aí Nilmar”. Bem, futebol é o esporte das contradições, dos valores invertidos, das imprevisibilidades, surpresas, das soluções incapazes de superar os detalhes. O que fazer então para controlar os heróis dentro de campo? Fora alguns palpites indecisos, todos sabiam que já era tarde, que já não havia o que fazer para reverter a situação. No bar, diferente do estádio, o silêncio foi a resposta angustiada dos torcedores. Ninguém correu de polícia, ninguém empurrou alambrado. Ninguém pôs em prática a inconsciente vontade de reagir aos fatos consumados com a fúria que só a ausência de argumentos nos trás à mente. Ao final da partida, cada um caminhou até sua casa.

 

Para os que grunhiram, uivaram, cacarejaram nas extremidades do campo, a derrota não servirá de autocrítica. Sem derrota somos um mar de ego num baile de máscaras. A derrota é o verniz de nossa civilidade. A derrota mostra quem somos, a derrota nos diz o que pensamos de nós mesmos.  Contudo, sob as mesmas circunstâncias, as reações foram as mais diferentes. A maioria soube (e saberá) lidar com esse mero tropeço emocional. Porém, muitos dos exaltados ainda relutarão para engolir “tamanho desaforo”. Para esses a borracha da polícia tem o aval da sociedade. Moral da história: enquanto uns juntam os tijolos caídos, outros o atiram para longe. E lá se vai o que restava da civilidade dos que vêem numa partida de futebol, o ato mais glorioso de suas vidas.    

 

 

S.O.S. Mundo Novo...

Sorria, você está sendo enganado

 

Tudo bem, o assunto não é novo e provavelmente não sou o único a ter queixas sobre esta “nova tecnologia”. Mas vá lá, está se tornando inviável sabotar tantos spams e emails promocionais que invadem nossos endereços eletrônicos. Agora há também aquelas janelas moderninhas feitas por designers moderninhos para sites de todos os tipos. Nem os nossos guardiões – chamados por tecnófilos de anti spams – dão conta de tanta “mensagem que nos chegam sem parar” (como diria Raul). É como se aquelas vozes delicadas das moçoilas dos telemarketings ganhassem uma forma silenciosa de nos incomodar na internet. Isso quando as promoções não contam com trilhas e musiquinhas pegajosas.

 

Não sei mais o que faço com tanta oferta. Dia desses fui “premiado” com um congratulations que mal cabia em meu monitor. Certo de ser mais uma ladainha desses sites vouyeristas, fechei imediatamente a janela. Mas como se tratava de algo em que eu seria cúmplice, a janela se recusou a fechar enquanto eu não aceitasse a premiação. Entrei para ver o que se tratava e não deu outra: nada ganhei além de uma chateação. Meu grande feito foi ter sido o bilionésimo internauta a acessar o site. Pensando bem, acho que foi realmente um grande ato de minha parte salvar as outras milhões de pessoas dessa terrível perda de tempo.        

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