O princípio do fim?
Hoje li no Estadão que há uma onda de “orkuticídios”, um neologismo criado para designar os internautas que deletam seus perfis do Orkut. E não são poucos os argumentos de quem resolveu se “suicidar” na internet. Há os que tiveram sua privacidade violada, os que se cansaram dos crimes cometidos no site, como pedofilia e narcotráfico. Mas há também os que simplesmente não vêem mais função alguma em freqüentar essas páginas pessoais. Alguns alegam que perderam o interesse em adicionar pessoas por simples contagem numérica.
O Brasil é definitivamente o país do Orkut. Mais de 75% dos usuários declaram em seus perfis que são brasileiros. O estranho por aqui, até pouco tempo, era não ter Orkut, principalmente entre certa faixa etária. O fato é que essa “quase unanimidade” certamente causaria problemas. E desta vez eu estava certo. Na contramão de tudo e de todos, eu sentia que esse sentimento de repulsa viria à tona, cedo ou tarde. Sempre considerei orkut um modismo, um mecanismo com fins interessantes, mas que induz a comportamentos nem tanto aconselháveis. È claro que dentro desta esfera de milhões de usuários nem todos são cúmplices de seus problemas. Essa frase, aliás, lembra em gênero e grau com outro tipo de “usuário” e “problema”. Ou seja, para classificar um grupo, a generalização de seus membros é inevitável, portanto, quando vamos nos referir aos orkuteiros delinqüentes, indiretamente citamos o Orkut como um todo.
Não há como prever a duração deste fenômeno de popularidade. O fato é que, qualquer tentativa de “moralizar”, “sancionar” ou “fiscalizar” os usuários, já cria uma inevitável aura repressora, o que certamente afastará ainda mais o interesse, pois ficou claro que as pessoas utilizam o site mais para bisbilhotar do que para criar contatos. No entanto, como as regras sempre surgem para corrigir os “erros democráticos”, o orkut tem tudo para se tornar uma agendinha qualquer, função que os emails já exercem muito bem.
Não publico nada há dias. De certa forma interrompi o hábito de blogar parte por falta de assunto, parte por deixa-los “esfriar”. Outra: falar de copa do mundo é inconveniente para um blog de poucos leitores como o meu. Quem quer saber táticas, novidades, mudanças, lances e notícias sobre o mundo do esporte, certamente lerá outro site. Nem essa idéia de escrever sobre a falta do que escrever é original. A Thais do blog word of mouth (http://thaismendes.blogspot.com) escreveu sobre isso outro dia.
Essa ausência criativa é o primeiro sintoma negativo que aflige cronistas/blogueiros pelo mundo todo. Se de um lado a blogosfera torna-se cada vez mais abrangente, dando uma ferramenta incrível não só para letrados, a incapacidade de tornar-se autêntico em meio a tantos blogs é cada vez mais difícil. Eu mesmo procuro uma “cara” para o meu. Divago sobre tudo e todos, mas ainda falta uma essência, um fator diferencial, algo como as arrancadas de Kaká (aí, mais uma metáfora convencional) num jogo truncado e difícil.
Antes de implorar ou atravancar alguma campanha pró-leitura deste blog, preciso definir sua liguagem, seus preceitos, suas condutas e, principalmente, seu intuito. Tá certo, se isso serve de consolo, criei este diário virtual mais para criar o hábito de escrever para não enferrujar minha “vocação jornalística”, como também para criar um arquivo digital de tudo que possa escrever um dia. Mas gostei tanto da idéia que agora fico tenso quando não escrevo nada por muito tempo.
O fato é que, como nos versos de Cartola, “preciso me encontrar” em algum lugar o quanto antes, senão corro o risco de cair no esquecimento. Para evitar essa tragédia pessoal peço que meus poucos e valiosos leitores sugiram temas e linhas de pensamento para alguém que, assim como o personagem Cláudio de Cony, “pensa de mais sobre nada”.
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