Eros e Psique num Drive-in à beira da estrada
Disse a ela palavras que jamais conseguiria repetir com o vigor da espontaneidade.
“Quero mergulhar em seu antro mais profundo. Mergulhar em seu templo perfumado. Beber o doce vinho de seus mudos lábios até que o prazer me embriague e derrame o fogo que enaltece a humanidade”.
Convencida, ela pôs-se a chorar pensando ser aquele ato uma prova de que ele simplesmente a queria, mesmo sem saber que a sutileza de seus versos era a porta de entrada para sua submissão carnal ao espírito inflamado do homem que se declarara. Já embebida em sua tríplice pubiana, sob o suor de suas entranhas eloqüentes, ela já não sentia amor, senão prazer. Não exaltava mais a alma como uma fonte imutável, rígida como acreditava ser seu hímem.
“Alimenta minha carne...”.
Não há romantismo sem a púrpura do enlace.
“O íntimo é o materialismo exacerbado. È o toque em seu mais belo patrimônio. Oh, meus sentimentos, tão sem platonismo, tão fiel ao desejo de ter desejo, tão preso ao contato físico da alma”.
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