Um forasteiro em dois palitos

 

Em minha ultima visita à capital fui, a convite de um amigo, num pequeno e confortável restaurante oriental. Apesar de ter sido uma experiência inédita no quesito culinária japonesa (ou era chinesa?), o que mais me chamou atenção foram alguns detalhes extra-prato. Embora não seja novidade pra muitos, me surpreendi com a forma um mero restaurante pode ser um exercício para pensar questões culturais, principalmente, no que diz respeito à nossa tão famosa mania de “comer às pressas”.  Aquele pequeno restaurante chinês (ou era japonês?) atrai não só pela bela comida que oferece, mas também pelo conceito oriental de alimentação, como tirar os sapatos pra comer, usar alimentos sempre frescos, tudo num ambiente tranqüilo, que parece influenciar até na digestão.    

 

Para quem está habituado a comer um lanche rápido pra voltar logo ao trabalho, poder se sentar sem um pingo de pressa, comer alimentos sem aquele banho de gordura de nossa comida, e ainda poder fazer do almoço em restaurante quase um ritual familiar, é uma oportunidade única. Embora ainda prefira carnes sangrentas, desbravar um cardápio do oriente é mais do que um simples almoço. É uma representação cultural que o ocidente devia levar como exemplo. Almoçar é um momento único de nosso dia. Eu, por exemplo, espero horas por ele e, quando chega o momento, como em poucos minutos.

 

Há uma onda de manifestos intitulados Slow Food, ou refeição lenta. Seus seguidores atacam incondicionalmente as redes de fast foods e seu conceito de comidas práticas. Não sei se conseguiria almoçar todos os dias num restaurante sino-japonês ou nipo-chinês. Mas bem que nós, apressadinhos do ocidente, poderíamos aproveitar a deixa e colocar no nosso cardápio ao menos um tatame para acomodar a bunda.

[ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: