Entre Werther e Poliana
Por que é tão difícil para nós (para mim) controlar o grau de satisfação com o qual avaliamos as nossas vidas? Por que não podemos enxergar com extrema felicidade o fato de estarmos empregados, estudando, termos família e amigos sempre à espera e, mesmo assim, nos sentirmos insatisfeitos?Este é o peso de ter perspectivas...
De um lado da balança, as coisas práticas, reveladas por contratos e garantias mais um punhado de oportunidades pelas quais jamais deveria me queixar. Mas não dá. São idas e vindas de reflexões paralelas à rotina impensável do trabalho. Isto completa o outro lado da coisa. A parte oculta que me diz que posso muito mais, de que a verdadeira oportunidade não cai em minhas mãos e de que, no fundo, só estou cumprindo tabela por não ter o poder da escolha. Se seguisse minha vontade, pediria demissão ainda hoje, pegaria minhas coisas e caía fora dessa vida minuciosa que tenho levado. O que fazer então? Conformar-me com o quadro que estou pintando. Não adianta se debater como um peixe fora do aquário. É seguir em frente, se possível, com a dor de Werther durante o expediente e o otimismo de Poliana nas horas vagas...
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